Skype Session 20080102 2017
Program of
Transcribed by Frederick van Amstel, version 2 of 080312
report
Claudio Ferreira
Bom, meus amigos estamos aqui reunidos para discutir um baita de um abacaxi que é um projeto que pode dar o que falar que é o BrOffice. A formatação do nosso portal.
Eu estou no projeto OpenOffice desde 2001. Muito dizem que eu sou o culpado. Daí eu entrei em contato com o projeto internacional. Está escrito na página do portal BrOffice, no sobre. Entrei em contato com o projeto internacional para fazer a tradução brasileira, só que a coisa foi muito além e nós criamos uma comunidade porque entendemos na época que não adiantava só dispor de um produto traduzido porque ninguém sabia mexer, então corremos atrás de listas de discussão: material de suporte dentro da filosofia do OpenSource? e a coisa foi crescendo até passarmos o patamar de 10 milhões de desktops com BrOffice. Isso significa um market-share de 1/4 do mercado brasileiro. Esse é nosso status hoje. O portal sempre foi... tudo é trabalho voluntário, não temos pessoas pagas em momento nenhum, infelizmente. E, com isso, temos que contar com a boa vontade, prioridade e o tempo de cada um.
Aqui olhando a documentação do Merkle eu percebi algumas faltas de informação de que tipo: primeiro BrOffice.org e porque não OpenOffice.org? Em 2004 tivemos um problema de marca. Uma empresa já havia registrado em 98 Open Office no INPI. Nem se cogitava que existia o projeto OpenOffice, então não houve segundas intenções. A marca é deles e ponto. Para evitar um problema jurídico, que é real. Eu, inclusive, tentaram me processar. A sorte foi que não havia uma pessoa jurídica na época, porcausa do uso indevido do nome OpenOffice, que a marca é deles. Não tem o que discutir, nem choro nem vela. É simples. Por isso, trocamos o nome de OpenOffice para BrOffice.org. É importante, ter em mente que BrOffice.org representa uma comunidade, que é a comunidade brasileira do OpenOffice.org, ou seja, nós não somos fork. Tem um produto que inclusive hoje está dentro do código. Tu baixa o OpeOffice?, tu pode gerar o BrOffice a partir dele. E hoje tem uma ONG, que ela surgiu em 2005 para poder abranger outras facetas que não eram acessíveis a comunidade. Se eu quiser fazer uma parceria com a academia é impossível fazer com comunidade porque tem que ter uma instituição, uma PJ. Então, por isso, nós abrimos uma ONG, entre outras coisas.
Aí a gente chegou num problema. Nós temos um nome diferente e o principal motivo de a gente ter aberto o BrOffice.org. Se vocês observarem OpenOffice.org.br é registrado com a gente. O Saulo me perguntou a pouco: porque não acessar o br-pt.openoffice.org e seria nossa página da nossa comunidade. Tudo o que vocês vem de OpenOffice é feito via CVS, ou seja, alguém tem que baixar, editar no braço e fazer um commit dessa página, como se fosse código. Na minha visão, essa é uma bringa que eu tenho dentro da comunidade de idioma nativo, isso é improdutivo. Você não consegue trabalhar adequadamente. Tem que ter um CMS, um gerenciador de conteúdo. A partir disso, eu optei por criar um portal próprio, pra colocar um CMS, que inicialmente foi um projeto interno chamado site e hoje está o Drupal. A partir disso, a gente observou que tem algumas diferenças, tanto na visão do brasileiro na visão do código aberto, quanto o modus operandi de nosso pessoal em relação ao projeto internacional. Lá eles precisam ter uma rigidez um pouco maior, porque as contribuições são muito aleatórias. No nosso caso a gente conseguiu fazer um foco maior e iniciar atividades que começaram a ser cogitadas quando eu apresentei o BrOffice ao mundo, na OpenOffice conference que aconteceu no ano passado. Mostrei que a gente faz umas coisas até então tidas como impossíveis que é criar uma comunidade do jeito que a gente trabalha. Inclusive o Brasil é um referencial de Software-Livre, isso aí o Fred deve ter constatado nas suas literaturas, o Brasil... as figuras do software-livre, quando vêm pro Brasil, não acreditam no que é feito aqui, principalmente pelo impacto social que o software-livre traz. Bom, em cima disso, surgiu o portal e tentamos fazer da melhor maneira possível. O problema é que é muito trabalho e, geralmente, a turma de Web corre na primeira semana. Isso assim era regra até a exceção do Saulo e da S.Toledo, que a gente está discutindo esse assunto há 4 semanas, então eles já quebraram o recorde absoluto de permanência. Porque antes era sempre assim: "ah, eu vou te ajudar Claudio", aí quando eles começavam a mecher, viam que era muito grande e sumiam. Ainda estão todos aí?
Continuando. Então o Saulo, um entusiasta, foi buscando e garimpando informações comigo e foi atrás e deu um peitaço e apresentou pra direção da empresa, da S.Toledo, o pessoal gostou da idéia e então entraram como parceiros para reformular o portal. Fred, não sei se você já viu, mas eles mandaram um PDF que me parece que pode ser chamado de briefing, uma análise inicial, um projeto enfim.
Eu achei bem legal os comentários dele, principalmente, porque ele está tendo a sensibilidade (eu e o Saulo já estamos trabalhando nisso há um mês) pra contextualizar para o Gonçalo: geralmente, quando a gente desenvolve um portal, ele é muito focado para um determinado público. No caso se você olhar no site da Microsoft e da Skype, que são empresas que tem muita grana pra investir na Arquitetura e da Comunicação. Então tu vê que eles são muito focados para vender o produto, eles vendem muito bem isso. O nosso caso, nós temos 3 pilares que precisam ser considerados: primeiro é o próprio mercado, que é a gente tem um produto que precisa vender, na realidade não é só um produto. Eu gostei das colocações da pessoa que escreveu o material da S.Toledo. Foi tu que escreveu, Saulo, ou foi outra pessoa?
Tá de parabéns o Saulo porque ele está sentindo certinho o que a gente tem vários pridutos: a própria suíte do BrOffice pra baixar, nós também temos outras coisas que seriam interessantes baixar, e aí temos que pensar como vender isso, que é o próprio Zine, a revista vai muito bem, está com mais de 20 mil downloads por edição. Eu acho que isso aí é muita coisa. Nós temos alguns produtos como o corretor ortográfico, tem outros produtos, que o usuário pode ir baixando e instalando. Seriam os adicionais, os extras. Bom, esse é um ponto. O que nós temos oferecer para o pessoal baixar. Precisa vender melhor. Eu reconheço que tá difícil. Só que para muita gente, comprar esse produto, eu preciso ter uma base de informação que subsidie ele a comprar isso. Pensando, por exemplo, num prefeito, num gerente de TI de uma empresa. Então aí a gente tem a parte de notícias, que é aquele mundaréu de notícias, que eu concordo que está exagerado, mas como é que a gente coloca aquilo ali, que aí entra a questão da gente fazer a coleta e um pré-processamento, ou uma taxonomia em cima dessas notícias, que isso aí serve de base para muita gente para apresentar o produto, então faz parte da venda, do marketing da coisa. Tem a parte da comunidade, que todas essas pessoas que estão trabalhando, estão fazendo trabalho voluntário e precisam ser reconhecidas. Então como a gente vai organizar essa participação? Eu acredito que seria interessante não olhar apenas OpenOffice, mas outros projetos como Postgre e Mozilla e ver como a gente poderia reformular isso. Até penso se é interessante deixar os projetos na lateral ou deixar numa aba para quem queira participar... A gente tem que pensar como vai apresentar isso de outra forma. Dentro da questão do mercado, daí tem subitens que, além do produto, eu preciso ver a questão do suporte, como eu vou apresentar suporte, sendo que ele é subdividido em suporte que tu mesmo pode buscar, que são as listas, as documentações e tem o suporte comercial. Então tem que pensar como é que a gente vai lidar com isso também, que é uma coisa que está surgindo. Ah tá, voltando, comunidade, como a gente faz pra reconhecer isto? Como deixar de uma forma para valorizar o voluntariado. Porque se o voluntariado morrer, com certeza o projeto vai ficar capenga. Então, temos que achar um jeito de vender voluntariado. E tá faltando uma coisa... ah sim, desenvolvimento. Daí acaba entrando dentro de comunidade. Como é que a gente traz mais... Então não é só um mercado, são muitos. Então como é que a gente vai agregar todos num só portal. Comunidade de software-livre, voluntariado, produto, suporte e mercado.
Esqueci uma coisa. O BrOffice é muito conhecido fora do Brasil. É conhecido muito pouco na Espanha e alguns países da América Latina. Então, o portal provavelmente precisa de internacionalização. Teremos BrOffice em inglês e espanhol. Até mesmo porque isso vai prum próximo passo, que é um plano meu, pessoal, que o pessoal achou interessante dentro do projeto, da comunidade, que é a gente ajudar as comunidades vizinhas. Por exemplo, existe o es.openoffice.org que é o OpenOffice em espanhol, para todos que falam o castellano. Só que tem um detalhe, a comunidade é muito fraca. Nós aqui do projeto estamos ajudando a desenvolver a comunidade dentro da América Latina. Que é uma coisa diferente: a comunidade hispânica e o OpenOffice em cada país. A penetração é maior quando é em cada país. Então a gente provavelmente vai ter a internacionalização do portal para ajudar outros países, as comunidades irmãs.
No caso do desenvolvimento, a gente tem uma parte desse processo, sendo trabalhado em cima do drupal. Principalmente, a organização da informação ela é feita em cima do drupal e isso é culpa do fred.
Aí eu atendo uma parte das coisas. A parte de notícia, que é o clipping. Eu varro a internet atrás de notícias atrás de notícias em português, espanhol, em galego e em inglês. São quatro idiomas que eu varro notícias sobre BrOffice, OpenOffice. A partir disso eu faço a minha taxonomia básica lá. Tem que ver se teriam mais itens para poder usar. Talvez freetags. Eu tenho muito medo de freetags, de etiquetas livres, porque daí eu acho que a coisa pode fugir muito. Mas enfim, é uma coisa que pode ser considerado. Isso eu acho fundamental porque a partir do momento em que eu coloquei as notícias, nós pulamos de 2.500 visitas/mês para quase 8.000, aliás, visitas/dia. Então acho que isso é importante. Mas a gente pode mudar a forma de apresentar isso, tá jogado na mesa. A outra parte que eu tenho, são página estáticas, a apresentação dos produtos, os grupos de usuários, algumas coisas assim, sobre a ONG, então essas coisas são estáticas, então não tem muito o que mexer. Agora, eu tenho um wiki também, que foi desenvolvido em cima de um software chamado Trac, que ele junta wiki, sistema de bilhetes, tipo um Bugzilla, timeline, tem umas coisas bem interessantes. Ah e SVN. Nós também temos serviço de SVN dentro do projeto. Mas tudo isso é importante notar que não é separado do projeto OpenOffice, do projeto internacional. O problema é que devido à inflexibilidade do projeto, nós tivemos que criar nossa página. O Merkle cogita: e aí vamos ter uma reintegração com o projeto. E aí foi uma coisa que eu já comentei com o Fred, o BrOffice está criando um corpo institucional, uma preocupação minha que me norteia o desenvolvimento do BrOffice. Hoje o OpenOffice é basicamente mantido por cinco grandes empresas, a saber, a Sun, a Novel, que entrou em segundo lugar, depois entrou, recentemente a IBM, o Google já participa um pouco antes e a Red Flag, bandeira vermelha, da China. Então o que acontece? Esta são as grandes orientadoras do desenvolvimento do OpenOffice. Os principais gerente do OpenOffice eles são funcionários de umas dessas 5 empresas, eu diria que 90%. Esse ano quando eu fui na OpenOffice conference, a participação de governos e de terceiro setor, as ONGs, é mínimo. A França tem dois codificadores. A França tem uma ONG que banca duas pessoas que só trabalham em código full-time. Eles são programadores, corrigem bugs e tal. Só que a participação deles é muito pequena. A partir da iniciativa do BrOffice como ONG, a gente está surgindo com muitas idéias e algumas delas eu já conversei com o Fred, vamos ter uma participação diferente no projeto, entrar com o Instituto de vocês, de usabilidade, desenvolver projetos aqui no Brasil, captar recursos aqui e que isso seja publicado dentro do código do OpenOffice, essas melhorias, sincronizando com os trabalhos de lá. Daí a gente apresenta um trabalho do Brasil e não é uma ONG, não é uma Sun, não é uma Novell. É o BrOffice e... cara esse da associação de vocês é complicado, tem que escrever pra lembrar... daí então com parceria com vocês, da financiadora XYZ e cada ano participando com mais código. Código quando eu digo, é assim, um estudo de usabilidade, o código pra adaptar esse estudo, enfim, a nossa participação no nosso projeto. E eu estou querendo implantar esse modelo em todos os países hispânicos e lusófanos. Todos os países que falam português e espanhol. Que é uma coisa diferente da diretriz internacional do OpenOffice.
Dificilmente a gente vai ter uma integração com o projeto internacional. Isso é uma coisa que a gente tem que pensar. O que eu tenho feito naquela página br-pt.openoffice.org é de tanto em tanto, salvar a página inicial do BrOffice e publicar via CVS lá no br-pt. Então tu vê que é um parto fazer isso.
A idéia era fazer isso semanalmente. Não sei se existe algum recurso para publicar via CVS. Tu tem que ser um desenvolvedor, ter sua chave aceita, fazer um tunelamento para fazer a transferência.
Br-pt não é da nossa gerência, é de uma outra empresa, a CollabNet?. A Sun comprou a Collabnet só para manter projetos. Collabnet é uma empresa, uma espécie de fábrica de software. Só que é assim. Ah eu quero colocar um CMS no OpenOffice que vai ajudar muita gente e a Collabnet diz não, eu quero traduzir o Collabnet para uso no Brasil. Não. Eu quero. Não. É só CVS. E aquele espacinho. Se você entrar no br-pt vai ver que a lateral esquerda é da Collabnet, o espaço CVS é o quadrado direito inferior. Mas assim, tu não mexe nada além de código HTML puro. Nem CSS tu consegue.
Só assim, a preocupação é que, no caso o br-pt hoje é meramente um depósito e se você olhar nos outros idiomas, é bastante simplista a coisa. O pessoal fica bastante impressionado de a gente ter clipping, ter revista, ter grupos de usuários. Eles pensam a nível "ah que posso fazer no meu país". É porque é uma pessoa ou duas em cada país, que geralmente responde, mas os trabalhos internos é meio complicado porque eles não tem uma visão mais prática. É o que sinto em vários países. Aqui no Brasil a gente está criando uma capilaridade sem precednentes. Basta ver o número de instalações. O Brasil é o país que mais instala BrOffice ou OpenOffice no planeta. A gente ganha até da China, pelo menos por alguns meses a gente vai manter a liderança. Depois a China vai obrigatoriamente passar na frente, por causa da Red Flag. Lá eles estão desenvolvendo o Office do governo e a Red Flag é a empresa contratada para isso. E eles são numericamente muito maiores do que nós, mas a gente tem um perfil diferente do que eles. Aí tem uma colocação bem interessante.
Claudio Ferreira
Lá no wiki, primeira coisa que se vê é que a gente tem muita informação e ela precis ser melhor trabalhada. Algumas coisas foram faladas. A Ong, acho que não precisaria ter um bloco à esquerda embaixo. Poderia ter só no sobre e quando clicasse no sobre, já viesse muitas informações. No wiki, no caso eu coloquei algumas páginas de referência, entre elas, o Skype, a propria Microsoft, que os caras tem muita grana pra isso, então não tem que ser besta de reinventar a roda. A IBM.com, não a .com.br. Eles fazem um trabalho de imagem muito legal. Aquela imagem que transmite... uma imagem vale mais do que mil palavras. Quando você entra no Skype, você vê aquela coisa de simplicidade, na IBM.com tem algumas coisas também. Então, dentro da estrutura do drupal, eu fico imaginando, tentando puxar um pouquinho para a parte gráfica, você tem o cabeçalho em cima o menu esquerdo e o que seria a área central uma imagem assim como está na IBM,que você vê que é uma coisa simples, de passividade, de gente e aí eu acho que seria um bom ponto pra colocar essas duas máximas que foram colocadas aí. Uma coisa nossa, da nossa gente, essa coisa nacionalista e do Merkle: olha, nós somos OpenOffice, só que nós somos aqui do Brasil. Alguma coisa nesse sentido, acho que é interessante colocar a marca, fazer essa associação de idéias.
Saulo
Claudio, rapidinho, uma questão que eu senti perguntar. A gente pode usar Flash no portal? Não é permitido open-source, né?
Claudio Ferreira
Não vejo problema em colocar Flash. Nós fizemos o Flash do nosso encontro... Se vocês entrarem em encontro.broffice.org... tem um Flash aí, que ficou associado no portal por um bom tempo.
Saulo
Eu acho Flash uma ferramenta bem interessante pra fazer isso. E o open-source, não tem problema quanto a isso?
Claudio Ferreira
Aí a gente começa a entrar nos melindres, a gente vai ter que fazer um balanceamento que seja comercial, porque um diretor de TI, um administrador de empresas tem que olhar e se sentir confortável, com foco no mercado. Eu quero comprar esse produto, como é que eu tenho suporte? Pensar como mercado, como se fosse uma empresa vendendo normalmente. Agora, num segundo momento, eu tenho que pensar como desenvolvedor: eu quero participar da comunidade, o que eu posso fazer, quais são os ganhos, como interagir? Tem que pensar essa outra visão. E a terceira é como mesclar esses dois. Ah e depois tem o desenvolvimento que fica dentro da parte de comunidade. Então tu teria basicamente dois focos: mercado e comunidade. Então como é que tu vai apresentar isso. Não vamos conseguir agradar gregos e troianos. Isso assim eu tenho nítido. Agora qual é o meu objetivo? Meu objetivo é trazer pessoas sérias, comprometidas em desenvolver os trabalhos. Seja voluntário, seja uma doação. Isso é uma coisa que temos que pensar. Como vender doação? Porque nós dependemos disso. Ah gostei do produto quero fazer uma doação, como fazer, empresas parcerias. Então, eu tenho que atender esses dois mercados, chegar num consenso. A questão do uso ou não uso do Flash aos olhos da comunidade, eu diria que hoje a comunidade está mais madura. Se eu fizesse isso há dois anos atrás, eu era crucificado. Não que eu ainda não seja, mas existem ainda alternativas. Tem um outro negócio que um amigo meu me falou, que mistura SVG com Javascript, que tem o mesmo efeito e que é todo livre.
